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Dieta para a tireoide: a nova novela

Publicado 05/03/18

Entra temporada, sai temporada, surgem alimentos “milagrosos” para fazer a glândula que dita o ritmo do corpo funcionar direito. Na maioria das vezes, porém, tais receitas não passam de ficção. A tireoide, pobrezinha, foi apontada durante anos como a vilã do excesso de peso. Após declarações de celebridades, todo mundo passou a crer que o hipotireoidismo, marcado pela queda na produção dos hormônios tireoidianos, levava ao ganho de barriga. Mas a ciência vem desmentir a acusação: o distúrbio gera um acréscimo de, no máximo, 5% no valor da balança.

Segundo estudos recentes, o que acontece é exatamente o processo inverso: quem está acima do peso corre maior risco de ver a glândula em encrenca. “O aumento da gordura abdominal eleva a secreção de uma substância, a leptina, e isso prejudica o funcionamento da tireoide”, revela o endocrinologista Joaquim Custódio Junior, da Universidade Federal da Bahia.

“Também se especula uma relação entre a obesidade e a maior incidência de câncer de tireoide”, relata o endocrinologista José Augusto Sgarbi, da Faculdade Estadual de Medicina de Marília (SP). Como diria a personagem Dona Jura, da novela O Clone (2001): “Não é brinquedo, não”. Quer um conselho? Siga um menu balanceado e que não extrapole nas calorias.

As principais fontes

Iodo

Além do sal é possível encontrar o iodo em frutos do mar, algas, peixes e alguns vegetais

Quanto você deve comer por dia:

De 0 a 7 anos: 90 mcg
De 7 a 12 anos: 120 mcg
Mais de 12 anos: 150 mcg
Grávidas ou lactantes: de 200 a 250 mcg

Zinco

Algumas pesquisas detectaram baixas porções desse mineral em indivíduos com hipotireoidismo subclínico — o termo “subclínico” faz referência a um desbalanço nos níveis hormonais que ainda não traz sintomas.

As principais fontes:

Carnes e pescados: de 4 a 7,7 miligramas
Castanhas e nozes: de 2,1 a 4,7 miligramas
Quanto você deve comer por dia: 15 miligramas

Selênio

A tireoide é a área do corpo que mais concentra esse mineral. Ali ele exerce uma dupla ação. Primeiro, funciona como um escudo e protege as células desse tecido da inflamação e dos ataques de agentes externos. Em segundo lugar, é peça-chave na conversão de T4 em T3 (o hormônio ativo) em todos os órgãos e estruturas.

Antioxidantes 

Pessoas recém-diagnosticadas com hipotireoidismo ou hipertireoidismo apresentavam níveis de antioxidantes abaixo do recomendado. Por mais que ainda não dê para estabelecer uma ligação direta entre a falta desses ingredientes e tumultos na tireoide, não custa ficar de olho — e caprichar, se for o caso – na inclusão de frutas, verduras e legumes no seu prato.

Quanto você deve comer:

Não existe uma recomendação fixa de ingestão de antioxidantes. De maneira geral, a sugestão é comer cinco porções de vegetais por dia.

Brócolis, couve-flor, couve-manteiga, repolho

Quem diria, esses alimentos não são exatamente os melhores amigos da tireoide. “Eles têm algumas moléculas que competem com a captação de iodo na glândula”, avisa a médica Laura Ward, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo. Eles seguem com a reputação intacta e só acarretariam chateações se vão para o prato crus, sem nenhum cozimento. Ou se são protagonistas de tudo que é refeição — caso dos sujeitos que costumam engolir aqueles copos enormes de suco de couve em todos os cafés da manhã, por exemplo.

Cálcio

Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, mostrou que leites e derivados atrapalham a absorção da levoritoxina, remédio clássico para o hipotireoidismo. É por isso que os especialistas pedem para aguardar 30 minutos pela manhã entre a ingestão do comprimido e o desjejum — o fármaco precisa do estômago vazio e com pH mais ácido para surtir efeito. Além do cálcio, ingredientes ricos em ferro, fibras e o café também devem ser evitados nesses primeiros minutos do dia de quem precisa tratar a condição.

Outros elementos que mexem com a tireoide

Bisfenol A

Utilizado na fabricação de plásticos e latas, possui uma estrutura química similar à de determinados hormônios, o que confundiria nosso organismo. Evite comprar produtos com esse composto. Geralmente essa informação está escrita na embalagem com a sigla BPA.

Radiação

Acidentes nucleares que ocorreram em Chernobyl, na Ucrânia (1986), e em Fukushima, no Japão (2011), foram seguidos de um aumento nos casos de câncer de tireoide. Agentes radioativos deixam a glândula em parafuso.

E o glúten?

Outra teoria da conspiração diz que essa proteína do trigo, do centeio e da cevada é nociva à tireoide. Nada a ver, rebatem os experts. “A dieta isenta de glúten só deve ser prescrita a quem tem doença celíaca”, afirma a médica Gisah Amaral. Gente com hipo ou hipertireoidismo não teria ganhos específicos ao cortar pães e massas.

Mau negócio

Surgiu na internet uma moda de usar a levotiroxina, remédio empregado contra o hipotireoidismo, para emagrecer. Cuidado! “Essa prática pode levar a sérias consequências nos ossos e no coração”, alerta o cirurgião de cabeça e pescoço Erivelto Volpi, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP). A perda de peso até ocorre, mas se dá pela redução de massa magra, não de gordura.

Garganta em perigo

O medicamento lugol, que traz uma bomba de iodo, caiu nas graças da internet com um suposto efeito de prevenção do câncer. Só que não há evidência científica alguma a favor da propaganda. Pior: esse líquido pode perturbar a tireoide. “Uma gota de lugol 5% contém cerca de 6 mil microgramas de iodo, 40 vezes mais do que a necessidade diária de um adulto”, calcula a endocrinologista Patrícia de Fátima dos Santos, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro. E olha que tem quem beba de quatro a seis gotas de uma só vez. Uma cilada!

Fonte: https://saude.abril.com.br/alimentacao/dieta-para-a-tireoide/


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