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MAI

O desafio e a tensão do coronavírus para quem tem diabetes

Publicado 02/05/20


Jornalista que convive com a doença conta os dilemas diante da pandemia e explica por que zelar pela saúde mental repercute no controle do diabetes

As notícias sobre a Covid-19 não param de ser transmitidas e publicadas pelos meios de comunicação e as redes sociais. Em março, no início da pandemia, confesso que me senti desesperada. O primeiro impacto era assustador: como eu, que tenho diabetes tipo 1, iria parar de ir à academia e correr?

Todos nós sabemos que a atividade física faz parte do tratamento do diabetes, pois contribui para o controle da glicose, além de todos os outros benefícios conhecidos.

Depois de conversas com a síndica do prédio, ela me emprestou pesos, caneleiras, colchonetes e o jump. Um problema resolvido! Ufa! Mas percebi que as minhas taxas de glicemia continuavam a subir e me dei conta que estava muito nervosa. Chorei, fiquei deprimida por alguns dias, mas depois levantei a cabeça e comecei a reagir.

Passei a fazer alguns minutos de meditação por dia e me conscientizei aos poucos de que, se eu continuasse nervosa, não iria adiantar nada, já que a humanidade inteira estava na mesma situação. Diminuí o hábito de assistir ao noticiário à noite, para que eu pudesse me proteger das sensações horrorosas que as notícias traziam a essa hora, culminando em insônia e pesadelos.

Enfim, minha glicose baixou e hoje me adaptei ao novo cenário. Mas um fato me chamou bastante atenção: muitas pessoas com diabetes estão deprimidas e parte delas está sem ânimo para seguir o tratamento.

A depressão tem um impacto muito nocivo sobre o controle glicêmico, e, por sua vez, o diabetes mal controlado intensifica os sintomas depressivos. Quando a pessoa com diabetes não consegue obter um bom controle da glicemia, ela muitas vezes sente que perdeu o domínio sobre a doença.

Assim, a depressão pode promover um círculo vicioso, prejudicando o controle da doença e dificultando a realização de tarefas necessárias para atingir as metas de glicose. Além disso, níveis muitos altos ou muito baixos de glicemia podem promover uma sensação de cansaço e de ansiedade, conforme estudos da Associação Americana de Diabetes.

É importante ressaltar que as pessoas com diabetes têm a mesma suscetibilidade de contrair o coronavírus que os indivíduos sem essa doença crônica. A Sociedade Brasileira de Diabetes fez uma nota de esclarecimento em seu site, mostrando que os riscos de uma pessoa com diabetes ter a Covid-19 e suas complicações estão associados ao mau controle da glicemia.

Para ajudar a reverter a desmotivação, muitos influenciadores digitais estão promovendo lives semanais nas suas redes sociais para que as pessoas não se sintam sozinhas neste momento. Uma delas em especial, o Movimento Divabética, me convidou para participar da iniciativa, que reúne 14 mulheres com diabetes que contam parte de suas histórias e comentam perspectivas diferentes da condição.

De qualquer forma, gostaria de deixar a mensagem de que este período de tensão vai passar! Podemos aproveitar esses dias para refletir e pensar que também sempre há um lado positivo nas coisas: menos poluição, ruas mais limpas, menos acidentes de trânsito, mais solidariedade entre todas as pessoas… Vamos aproveitar para nos tornarmos seres melhores e contribuir para um mundo mais justo e humanitário?

* Vanessa Pirolo é jornalista, tem diabetes tipo 1 há 20 anos e representa 35 associações de diabetes em políticas públicas junto ao Governo Federal pela ADJ Diabetes Brasil, além de ser uma das autoras do livro Doenças Crônicas – Saiba como Prevenir!

Fonte: https://saude.abril.com.br/blog/com-a-palavra/o-desafio-e-a-tensao-do-coronavirus-para-quem-tem-diabetes/


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