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Diabetes no idoso exige cuidados especiais e atenção redobrada

Publicado 02/05/18

Nos últimos dez anos, o diabetes cresceu 60% no Brasil. E a maior parte desse exército de 14 milhões de portadores está na terceira idade. “O tipo 2 da doença, que é o mais prevalente, está relacionado ao envelhecimento, ao sedentarismo e à obesidade, sendo que esses dois últimos fatores, por sua vez, se intensificam com o avançar da idade”, comenta João Salles, endocrinologista da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e vice-presidente eleito da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Esse ambiente tão favorável torna o idoso mais sujeito não só ao surgimento do problema, mas também às suas consequências mais graves. Sem contar que a glicemia descompensada acentua dificuldades frequentes nessa fase da vida. “Ela pode incapacitar o idoso, pois eleva o risco de demências como o Alzheimer, além da neuropatia diabética, que faz com que a pessoa perca a firmeza no andar, o uso de muitos medicamentos e outros problemas que impactam a qualidade de vida e aumentam o risco de morte”, aponta João. 

O bom é que com acompanhamento, e especialmente com prevenção, dá para driblar o perigo e viver bem mesmo com o diagnóstico de diabetes.

Músculos para que te quero

Uma das justificativas para o aumento da incidência da doença nessa população é que, com o tempo, a fabricação de insulina cai. Como esse é o hormônio responsável por colocar a glicose dentro das células, a falta dele resulta em mais açúcar circulante e em uma sobrecarga do pâncreas, que precisa fazer ainda mais insulina para dar conta do recado. Há ainda outro facilitador nessa história. “É preciso destacar aqui a sarcopenia, diminuição da massa muscular que acontece na terceira idade e se acentua com maus hábitos de vida e mudanças alimentares. O indivíduo perde músculos enquanto ganha massa gorda, e esse é um dos principais fatores para o surgimento do diabetes tipo 2 nesse período”, ressalta Salles.

Isso é um problema porque os músculos consomem glicose, então ajudam a regular os níveis dela no sangue. Ao mesmo tempo, mais gordura quer dizer maior resistência à insulina, outro quadro que abre caminho não só para que a doença se instale, mas para que as complicações apareçam. Com medidas simples já é possível barrar essa queda natural da massa muscular. “Idosos tendem a ficar mais tempo em casa, fazer menos atividade física ou então apenas uma caminhada. E para combater a sarcopenia, o ideal é misturar exercícios aeróbicos, como a própria caminhada, com os resistidos, como a musculação”, explica Salles.

Outro ponto é o cardápio. “Nessa fase, comemos menos fontes de proteína, como a carne, e mais carboidratos, como o pão, seja por alterações no apetite ou porque eles são mais fáceis de mastigar e preparar”, explica o médico. Ou seja, trocar o almoço por um café e pão com manteiga não ajuda em nada os músculos --e consequentemente a saúde.

Tratamento não permite recaídas

Por conta desses fatores, o estilo de vida é fundamental não só para a prevenção, mas para controlar bem a doença. É preciso monitorar constantemente se há alguma complicação à espreita. Entram aí os exames regulares para verificar o estado dos olhos, rins e coração. No dia a dia, o cuidado é especialmente para evitar o pé diabético, condição em que qualquer micose, calo ou ferida não sara e pode levar a amputações. “Tem que examinar muito bem os pés, e se não conseguir ver tudo sozinho, pedir para alguém, além de andar com calçados que protegem e sejam feitos de material confortável”, aponta Salles. 

Vale ficar de olho também na hipoglicemia, nível baixo de açúcar em circulação. “Alguns remédios distribuídos no Sistema Único de Saúde favorecem o quadro, que é menos reconhecido e mais perigoso no idoso”, explica Salles. Esse desequilíbrio precisa ser flagrado e revertido rapidamente. Os sinais de alerta aqui são escurecimento da visão, suor excessivo, sensação de fome, tremores e coração acelerado.

Para subir o índice de glicose na medida certa, uma dica é tomar 100 a 150ml de suco de laranja ou um copo de água com duas colheres de sopa de açúcar. “Mas não recomendamos que a pessoa coma muito doce ou carboidrato para corrigir a glicemia, porque o índice subirá muito e rapidamente, o que não é nada bom”, completa o endocrinologista.

Como diagnosticar o diabetes

Infelizmente, ele costuma ser descoberto só quando já está bem instalado, o que dificulta seu controle. Por isso, além da atenção aos sintomas da doença (aumento de fome, mais sede e produção intensa de xixi), é até mais importante fazer o exame de glicemia regularmente. Lembrando que também existe o diabetes tipo 1 nessa faixa etária. “É menos frequente, mas acontece. Nesse caso, os sintomas são mais agressivos, a frequência urinária aumenta bastante e o quadro pode até ser confundido com a incontinência urinária comum dos
idosos”, aponta Salles. Essa variedade do transtorno é autoimune e tratada com insulina.

Fonte: https://conteudo.imguol.com.br/c/entretenimento/a0/2018/04/30/diabetes-1525114513242_v2_45


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